Pablo Emilio Escobar Gaviria, conhecido mundialmente como o “Rei da Cocaína”, foi uma das figuras mais controversas e poderosas do século XX. Líder do Cartel de Medellín, ele construiu um império bilionário baseado no tráfico de drogas, que controlava grande parte do suprimento global de cocaína. Sua vida foi uma mistura de ambição desmedida, filantropia seletiva e violência extrema, culminando em uma guerra aberta contra o Estado colombiano. Nascido em uma família humilde, Escobar ascendeu de ladrão de rua a um dos homens mais ricos do mundo, apenas para cair em uma caçada implacável que terminou com sua morte aos 44 anos. Esta matéria explora sua trajetória completa, desde os primórdios até o fim trágico.
Infância e Primeiros Passos no Crime
Pablo Escobar nasceu em 1º de dezembro de 1949, em Rionegro, um pequeno município no departamento de Antioquia, Colômbia. Filho de Abel de Jesús Escobar Echeverri, um fazendeiro e administrador de propriedades rurais, e de Hermilda Gaviria Berrío, uma professora dedicada, ele cresceu em uma família de classe média baixa com seis irmãos. A família se mudou para Envigado, subúrbio de Medellín, onde Pablo passou a maior parte da infância.
Desde cedo, Escobar demonstrou uma inteligência afiada e uma inclinação para o empreendedorismo, mas também para atalhos ilícitos. Ele abandonou os estudos no ensino médio e começou a trabalhar em empregos informais, como vendedor de sanduíches e motorista. No entanto, sua verdadeira entrada no crime veio na adolescência: aos 16 anos, já roubava lápides de cemitérios, limpava as inscrições e as revendia como novas. Ele também se envolveu em fraudes menores, como falsificação de diplomas e loterias, e roubo de carros. Esses atos iniciais o introduziram em uma rede de criminosos locais, moldando sua visão de que o sucesso vinha de riscos calculados e da ausência de escrúpulos.
Nos anos 1960 e início dos 1970, Escobar expandiu suas operações para o contrabando de cigarros e eletrodomésticos, ganhando reputação como um contrabandista astuto. Ele casou-se em 1976 com María Victoria Henao, então com 15 anos, em uma cerimônia controversa devido à diferença de idade. O casal teve dois filhos: Juan Pablo (nascido em 1977, depois renomeado Sebastián Marroquín) e Manuela (1981). Apesar de sua vida criminosa, Escobar era descrito como um pai dedicado, que mimava os filhos com luxos extravagantes.
A Ascensão no Narcotráfico
O grande salto de Escobar veio nos anos 1970, com o surgimento da demanda por cocaína nos Estados Unidos. Inicialmente, ele traficava maconha, mas percebeu o potencial lucrativo da cocaína, uma droga mais compacta e valiosa. Ele começou comprando pasta de coca de produtores peruanos e bolivianos, refinando-a em laboratórios na Colômbia e exportando para os EUA via rotas aéreas e marítimas.
Em 1976, Escobar foi preso pela primeira vez por posse de cocaína, mas subornou autoridades e escapou de acusações graves. Isso o impulsionou a formar alianças: com os irmãos Ochoa (Jorge, Juan David e Fabio), Carlos Lehder (especialista em rotas aéreas) e José Gonzalo Rodríguez Gacha (“El Mexicano”), ele fundou o Cartel de Medellín. O cartel monopolizou o processamento e distribuição de cocaína, usando aviões particulares, submarinos improvisados e até mulas humanas para contrabando.
Nos anos 1980, o império de Escobar explodiu. Ele controlava 80% do mercado global de cocaína, gerando bilhões anualmente. Sua fortuna permitiu compras extravagantes: a Hacienda Nápoles, uma propriedade de 3 mil hectares com zoológico privado (incluindo hipopótamos, girafas e elefantes), pista de pouso, mansões e até uma coleção de carros clássicos. Escobar perdia milhões em dinheiro apodrecido por umidade ou ratos, mas isso era insignificante para ele.
O Lado “Robin Hood” e a Entrada na Política
Escobar cultivava uma imagem de benfeitor entre os pobres de Medellín. Ele construiu mais de 400 casas no bairro que batizou de “Barrio Pablo Escobar”, instalou campos de futebol, escolas e igrejas, e distribuiu dinheiro em comunidades carentes. Para muitos, ele era um herói que o governo ignorava, criando lealdade que o protegia de delações.
Ambicioso, Escobar entrou na política. Em 1982, elegeu-se suplente de deputado federal pelo Partido Liberal, usando sua riqueza para financiar campanhas. Ele visava imunidade parlamentar e influência para bloquear leis de extradição para os EUA. No entanto, sua exposição como narcotraficante veio à tona: o ministro da Justiça Rodrigo Lara Bonilla o denunciou publicamente em 1983, levando à cassação de seu mandato em 1984. Isso marcou o início de sua guerra contra o Estado.
O Pico do Terror: Narcoterrorismo
Furioso com as acusações, Escobar ordenou o assassinato de Lara Bonilla em abril de 1984, desencadeando uma era de violência conhecida como narcoterrorismo. Ele declarou guerra ao governo colombiano, especialmente após a aprovação do tratado de extradição com os EUA em 1986. O Cartel de Medellín bombardeou edifícios públicos, matou juízes, policiais e jornalistas. Entre os atos mais notórios:
- Assassinato do candidato presidencial Luis Carlos Galán em agosto de 1989, um crítico ferrenho do tráfico.
- Explosão do voo Avianca 203 em novembro de 1989, matando 107 pessoas (visava outro candidato, mas errou o alvo).
- Ataque ao Palácio da Justiça em 1985 (embora controverso, Escobar foi ligado indiretamente via alianças com guerrilhas).
- Centenas de carros-bomba em cidades como Bogotá e Medellín, matando civis inocentes.
Escobar usava o lema “plata o plomo” (prata ou chumbo): suborno ou morte. Ele matou ou mandou matar milhares, incluindo rivais do Cartel de Cali. Sua violência transformou a Colômbia em um dos países mais perigosos do mundo.
A Queda: Negociação, Prisão e Fuga
Pressão internacional cresceu. Os EUA declararam Escobar inimigo público, e a Colômbia formou o Bloco de Busca, uma força especial com apoio da DEA. Em 1991, Escobar negociou sua rendição: em troca de não ser extraditado, construiu sua própria prisão, “La Catedral”, um complexo luxuoso com academia, sala de jogos, jacuzzi e visitas ilimitadas. Ele continuou comandando o cartel de lá, inclusive ordenando mortes.
Quando o governo descobriu e planejou transferi-lo em julho de 1992, Escobar fugiu com nove aliados. Iniciou-se a maior caçada da história colombiana: 3 mil agentes, helicópteros, escutas telefônicas e alianças com Los Pepes (um grupo paramilitar formado por rivais, ex-aliados e financiado indiretamente pela DEA). Los Pepes mataram centenas de associados de Escobar, enfraquecendo sua rede.
Escobar viveu como fugitivo por 16 meses, mudando de esconderijo constantemente, comunicando-se por rádio com a família. Ele queimou US$ 2 milhões em notas para aquecer a filha em uma noite fria nas montanhas. Sua paranoia cresceu: ele matou aliados suspeitos de traição.
A Morte e o Fim de uma Era
Em 2 de dezembro de 1993, um dia após seu 44º aniversário, Escobar foi localizado em uma casa no bairro Los Olivos, em Medellín, via triangulação de chamadas telefônicas. Durante uma troca de tiros com o Bloco de Busca, ele tentou fugir pelo telhado e foi baleado na perna, no torso e fatalmente na orelha (há debates se foi suicídio ou execução, mas a versão oficial é morte em confronto).
Seu corpo foi identificado por impressões digitais e cicatrizes. O funeral atraiu 25 mil pessoas, muitas chorando como se perdessem um herói. Sua morte marcou o declínio do Cartel de Medellín, com o Cartel de Cali assumindo brevemente o vácuo antes de também cair.
Legado Controvertido
Pablo Escobar deixou um rastro de destruição: milhares de mortes, corrupção endêmica e trauma nacional na Colômbia. Economicamente, seu império injetou bilhões na economia informal, mas a custo humano incalculável. Seus hipopótamos escaparam e se tornaram uma praga ambiental na Colômbia.
Culturalmente, ele é ícone pop: séries como “Narcos” e “El Patrón del Mal” romantizam sua vida, enquanto tours pela Hacienda Nápoles atraem turistas. Para alguns em Medellín, ele ainda é lembrado como benfeitor; para outros, como o maior vilão da história colombiana. Sua vida exemplifica como ambição sem limites pode elevar um homem comum a deus do crime, apenas para derrubá-lo em uma queda épica.

































Caramba 😦
Tinha mente pra empreendedorismo e conseguiu anos com dinheiro conseguido baseado em poder dinheiro acumulado, era narco traficante e um inteligente.🤔🔥