Caso Juninho Nézo: assassinato brutal e decapitação em Joinville (2016)

No dia 1º de fevereiro de 2016, Israel Melo Júnior, conhecido como Juninho Nézo, adolescente de 16 anos morador do bairro Vila Nova, em Joinville (Santa Catarina), foi vítima de um dos crimes mais violentos registrados na região. Ele foi atraído por conhecidos para uma casa no mesmo bairro, onde sofreu tortura prolongada, foi assassinado e decapitado. A cabeça foi deixada dentro de uma sacola plástica e jogada na rua próxima à residência da mãe, no dia seguinte (2 de fevereiro), o que levou à descoberta do corpo desmembrado em outro local.

Juninho era descrito pela família como um jovem brincalhão, corintiano fanático (tinha um chaveiro do time que deu de presente para a mãe), independente desde os 14 anos (morava sozinho em uma quitinete), quieto mas querido por parentes e amigos. Ele perdeu o convívio com o pai aos 5 anos e era criado pela mãe, Rita de Kássia Gasperi, e pela irmã mais velha. Não tinha histórico público de envolvimento grave com crimes ou facções, mas circulava em grupos locais onde ocorriam disputas e rixas.

O crime ocorreu em uma casa abandonada ou de uso temporário no bairro Vila Nova. Segundo a investigação, Juninho foi atraído sob pretexto de conversa ou encontro casual. Lá, foi imobilizado e submetido a horas de tortura: espancamentos com socos, chutes e objetos contundentes; cortes profundos com faca e machado em várias partes do corpo; e, por fim, decapitação. Os agressores filmaram partes do ato com celular, adicionando trilha sonora e editando o material de forma sádica, possivelmente para intimidação ou exibição em círculos criminosos. O vídeo circulou rapidamente entre conhecidos e chegou à polícia.

A cabeça foi encontrada na manhã de 2 de fevereiro dentro de uma sacola plástica, jogada em via pública próxima à casa da mãe. A descoberta gerou comoção imediata na vizinhança e levou as autoridades a buscarem o restante do corpo, encontrado desmembrado em outro ponto do bairro. A Polícia Civil de Joinville abriu inquérito com prioridade máxima, mobilizando perícia técnica, análise de câmeras de segurança e depoimentos.

Sete suspeitos (todos homens, alguns com antecedentes criminais) foram presos nos meses seguintes. Um deles, que estava foragido, foi capturado em setembro de 2016 escondido em um barraco na região. Os acusados foram denunciados por homicídio triplamente qualificado (motivo fútil, tortura, meio cruel), ocultação e vilipêndio de cadáver, corrupção de menores (pois envolveram adolescentes no crime) e associação criminosa.

Os motivos apontados pela investigação incluíam vingança pessoal, disputa por território ou dívidas relacionadas a tráfico de drogas, e tentativa de impor medo na comunidade local. O grau de crueldade e a filmagem do ato foram considerados agravantes.

Júris populares ocorreram entre 2017 e 2018. Vários réus foram condenados a penas altas: de 22 a 32 anos de prisão em regime fechado, com alguns recebendo agravantes pela decapitação e pela tortura prolongada. As sentenças foram confirmadas em instâncias superiores, e os condenados cumprem pena em presídios catarinenses.

O caso gerou revolta nacional pela brutalidade extrema contra um adolescente e pela exposição do vídeo (que foi removido de plataformas principais após denúncias). A família de Juninho, especialmente a mãe, deu entrevistas públicas pedindo justiça e destacando a personalidade alegre do filho. O crime reforçou debates sobre violência juvenil, tráfico de drogas em periferias e a necessidade de maior fiscalização em bairros vulneráveis.

Anos depois, o nome Juninho Nézo ainda é lembrado em Joinville como símbolo de uma tragédia evitável, marcada por crueldade desumana e impunidade inicial.

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Comments: 9Publics: 72Registration: 06-12-2025

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