Execução pública de Mohieddin Saleh em 30 de julho de 1986

Em 30 de julho de 1986, Mohieddin Saleh, um homem sunita de 22 anos, foi executado publicamente em Beirut, Líbano, pela milícia xiita Amal. Saleh foi acusado de tentar detonar um carro-bomba em 21 de abril do mesmo ano, direcionado à sede do movimento Amal, de maioria xiita, na capital libanesa. Segundo relatos, ele foi capturado dirigindo um BMW preto carregado com mais de 349 kg de explosivos.

A execução foi organizada por Nabih Berri, líder do movimento Amal e também Ministro da Justiça do Líbano na época. Militantes da Amal amarraram e vendaram Saleh, levando-o para um playground próximo ao Cemitério Xiita de Rawdat Shahidain, na zona sul de Beirut. Diante de uma multidão estimada entre 1.000 e 3.000 pessoas, incluindo membros da imprensa, os executores se aproximaram de Saleh, que estava prostrado no chão, e dispararam sete tiros de metralhadora AK-47 à queima-roupa contra seu rosto e corpo. Um dos projéteis desfigurou completamente o lado direito de seu rosto.

Esta foi a segunda execução pública realizada pela Amal em menos de um mês, em meio à Guerra Civil Libanesa que devastava o país desde 1975. O contexto era de extrema violência sectária entre diferentes facções religiosas e políticas. O general de brigada do Exército Libanês, Mohammed Haj, havia lamentado anteriormente, enquanto corpos eram retirados dos escombros em Barbir: “Neste jogo mortal, somos todos vítimas e perdedores”.

As imagens da execução foram registradas e posteriormente circularam em documentários sobre violência extrema, como “Death: the Ultimate Horror” (1995) e “Terrorists, Killers And Middle-East Wackos”, tornando-se um dos registros mais chocantes da brutalidade do conflito libanês. O caso exemplificou o colapso do sistema judicial formal no Líbano durante a guerra, com milícias assumindo funções de “justiça” através de execuções sumárias públicas.

Mohieddin Saleh nasceu em Beirut em 1964 e morreu na mesma cidade em 30 de julho de 1986. Sua execução ocorreu em um período de intensa fragmentação do poder no Líbano, quando o Estado havia perdido o monopólio da força para diversas milícias sectárias. Nabih Berri, que ordenou a execução, permaneceu como figura central da política libanesa nas décadas seguintes, exercendo o cargo de Presidente do Parlamento por mais de trinta anos.

O episódio de 30 de julho de 1986 permanece como um marco sombrio da Guerra Civil Libanesa, ilustrando como a justiça foi instrumentalizada por grupos armados para promover vingança sectária e controle territorial, em detrimento do devido processo legal e dos direitos humanos.

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Comments: 11Publics: 91Registration: 06-12-2025

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