Entre o final de 2018 e início de 2019, um vídeo de tortura e execução sumária ganhou circulação intensa em aplicativos como WhatsApp e Telegram entre comunidades ligadas ao crime organizado no Brasil. O registro mostra a morte cruel de um homem em uma área de mata, supostamente vítima de acerto de contas entre facções rivais.
De acordo com as imagens que circularam na época, a vítima aparece com os membros amarrados e é submetida a uma sequência prolongada de torturas. Os agressores iniciam o ato cortando um dos braços da vítima, que ainda permanece consciente e reagindo à dor. Em seguida, realizam uma incisão no peito com facas, na tentativa de remover o coração enquanto a vítima ainda estava viva.
Um detalhe que chamou atenção nos grupos que compartilharam o vídeo foi o erro cometido pelos algozes: eles teriam aberto o lado errado do tórax (provavelmente o direito, em vez do esquerdo, onde se localiza o coração anatomicamente), prolongando ainda mais o sofrimento da vítima. A execução foi filmada do início ao fim, com os criminosos conversando e dando instruções uns aos outros durante o ato.
Transcrição parcial do áudio do vídeo (conforme descrição do material):
- “Acho que vamos… Vamos… Cadê? Vira ele aqui.”
- “Esse aqui já dá, vem cá, calma aí, olha só.”
- “Cabeça… Qual é que eu estou mano.”
- “Quem mandou eu gravar… Cadê me dá o bagulho?”
- “Filha da puta… ai ai segura segura ele… Perdi… Foi… Calma, o outro.”
- “E o braço já foi, hein? Já foi.”
- “Deixa eu… É só cortar a pele e depois corta o osso.”
- “Ah tu quer tirar a cabeça? Vou tirar o… ah!”
- “Já calma aí que eu vou tirar o coração dele.”
- “Aí está vivo filha da… toma… calma aí calma aí calma aí.”
- “É desgraçado. Calma aí, para aí. Segura assim, segura assim.”
- “Isso, levanta. Vai… Sai daí… Calma, devagarzinho.”
O tom casual e frio dos diálogos, com orientações técnicas (“cortar a pele e depois corta o osso”) e até momentos de irritação entre os executores, reforça a crueldade da cena. A vítima teria permanecido viva por vários minutos durante o processo de abertura do peito.
Contexto da época
O período entre 2018 e 2019 foi marcado por forte disputa territorial entre facções criminosas em várias regiões do Brasil, especialmente em periferias de São Paulo, Rio de Janeiro e interior de estados do Sudeste e Nordeste. Execuções filmadas eram usadas como forma de intimidação e propaganda interna das facções. Muitos desses vídeos nunca tiveram identificação oficial das vítimas ou dos autores, permanecendo como material “underground” de alto impacto.
Até o momento, não há registros jornalísticos oficiais amplamente divulgados sobre este caso específico, o que é comum quando as vítimas são pessoas sem grande visibilidade social e os crimes ocorrem em áreas dominadas pelo tráfico.







