No dia 25 de julho de 2022, em Tijuana, no México, Esteban Guillén, de 24 anos, tirou a própria vida em uma transmissão ao vivo pelo Facebook. O caso ganhou enorme repercussão nas redes sociais, não apenas pela brutalidade, mas também pelas reações que gerou: seu sofrimento foi transformado em memes e remixes de música phonk, transformando a tragédia em piada e chacota.
A transmissão aconteceu no interior da casa onde morava com os pais, localizada no bairro Natura Vistas del Sol. Antes do ato, Esteban já havia feito disparos de arma de fogo contra a porta de sua residência, que acabaram atingindo a perna de uma vizinha de 70 anos. A vizinha foi socorrida e, segundo a polícia, não corre risco de morte.
Nas imagens, Esteban aparece visivelmente alterado emocionalmente. Ele chora, xinga, e acusa a ex-namorada, identificada como Susy, pelo fim do relacionamento. Em determinado momento, aponta a arma para a própria cabeça e diz: “Eu só queria uma desculpa para fazer isso, e ela me deu.”
Ao perceber a chegada da polícia ao local, apressa-se para se despedir dos familiares. Suas últimas palavras foram: “Até logo, nos vemos no inferno, amo vocês, pais.” Em seguida, dispara o tiro fatal. A polícia encontrou o corpo com o celular ainda na mão e a transmissão ativa.
O caso, no entanto, tomou um rumo sombrio e perturbador na internet. Em vez de comoção, o vídeo de sua morte foi amplamente ridicularizado. Internautas transformaram os momentos finais de Esteban em memes e remixes de música phonk, com edições que zombam de seu desespero e ironizam sua fala. A cultura do “cringe” e a impessoalidade das redes sociais tornaram o suicídio de Esteban um espetáculo de deboche, levantando questões cruéis sobre a forma como a internet lida com o sofrimento alheio.
O caso é um exemplo extremo do fenômeno da “espetacularização da morte” e da falta de empatia que muitas vezes impera na cultura digital, onde a tragédia pessoal de um indivíduo se transforma em combustível para o humor negro de uma comunidade inteira.













