Ataque no Colegio Cervantes: O dia em que um aluno de 11 anos parou Torreón
Na manhã de 10 de janeiro de 2020, José Ángel Ramos Betts, de apenas 11 anos, entrou no Colegio Cervantes, uma das instituições de ensino mais tradicionais de Torreón, no estado de Coahuila, México, carregando duas pistolas na mochila: uma de calibre .40 e outra .25. Aluno do sexto ano do ensino fundamental, José Ángel era visto por professores e colegas como um estudante de excelente desempenho acadêmico, notas altas e comportamento exemplar, sem registros anteriores de indisciplina.
No entanto, minutos após o início das aulas, o cenário mudou. Ao caminhar pelos corredores antes de entrar na sala, o garoto abordou alguns colegas de classe e disse apenas uma frase: “hoje é o dia”.
Por volta das 8h10, ele levantou a mão e pediu permissão à professora de inglês, María Assaf Medina, de 50 anos, para ir ao banheiro. Ele levou a mochila consigo sob o argumento de que precisava trocar a calça do uniforme, que estaria suja.
O Ataque no Pátio
A demora do aluno no banheiro começou a chamar a atenção. Entre 8h35 e 8h40, ele se trocou no local, tirou a camisa do uniforme e vestiu uma camiseta branca com a inscrição “Natural Selection” (“Seleção Natural”) em letras garrafais, além de suspensórios pretos — um visual idêntico ao utilizado por Eric Harris no massacre de Columbine, ocorrido em 1999 nos Estados Unidos.
Ao sair do banheiro segurando as duas pistolas, José Ángel começou a disparar no pátio interno da escola. A professora María Assaf Medina, ao ouvir os barulhos e perceber a movimentação, correu em direção ao garoto para tentar contê-lo e proteger os demais alunos. Ao se aproximar e pedir para que ele parasse, ela foi atingida no tórax e morreu no local.
Durante os disparos no pátio, outros cinco estudantes e um professor de educação física foram atingidos. Logo após balear a professora, José Ángel apontou uma das armas contra a própria cabeça e tirou a própria vida. Todo o ataque durou poucos minutos antes que as equipes de emergência e as forças de segurança chegassem ao local.
Quem era José Ángel Ramos Betts
Nascido em 8 de abril de 2008, o garoto viveu uma infância marcada por instabilidades familiares. Sua mãe faleceu quando ele ainda era pequeno, devido a complicações durante um procedimento cirúrgico. O pai cumpriu pena por tráfico de drogas nos Estados Unidos e esteve ausente durante a maior parte de sua vida. Diante desse cenário, a guarda legal do menino pertencia aos avós paternos, com quem ele morava em uma residência de alto padrão em Torreón.
Apesar de não demonstrar comportamento agressivo na escola, a análise de seu telefone celular revelou que ele mantinha conversas frequentes com um amigo sobre armas de fogo, submetralhadoras e explosivos. Nas mensagens, o colega tratava o assunto como mera fantasia ou jogo de computador, mas José Ángel vinha arquitetando o plano para colocá-lo em prática.
As duas pistolas utilizadas no ataque pertenciam ao avô paterno do garoto e ficavam mantidas na residência da família sem a devida segurança ou tranca, permitindo que a criança tivesse acesso livre ao armamento na manhã do crime.





















