Em 2007, a cidade industrial de Dnepropetrovsk (atual Dnipro), no leste da Ucrânia, viveu uma das ondas de violência mais brutais e inexplicáveis de sua história recente. Em menos de um mês, entre o final de junho e meados de julho, três jovens de 19 anos aterrorizaram a região com uma sequência de assassinatos sádicos, muitos deles filmados. O caso ficou conhecido como o dos “Maníacos de Dnepropetrovsk” e chocou não só o país, mas o mundo inteiro quando parte das gravações veio a público.
Os responsáveis
Os três envolvidos eram:
- Viktor Sayenko, nascido em 1988
- Igor Suprunyuk, nascido em 20 de abril de 1988
- Alexander Hanzha, nascido em fevereiro de 1988
Os três cresceram em famílias relativamente estáveis da cidade. Eram colegas de escola e, aos olhos de muitos, jovens comuns. Suprunyuk era considerado o mais dominante do grupo. Sayenko e Suprunyuk formavam o núcleo central dos crimes mais graves. Hanzha participou principalmente de roubos anteriores e não foi condenado pelos assassinatos.
A escalada da violência
Antes de atacar seres humanos, o grupo praticava atos de crueldade extrema contra animais. Cães e gatos eram enforcados, torturados e mortos. Essas ações funcionavam como uma espécie de “treino” para o que viria depois. A transição para vítimas humanas ocorreu de forma rápida e deliberada.
Os alvos preferenciais eram pessoas vulneráveis: moradores de rua, idosos, mulheres, adolescentes, alcoólatras e pessoas que caminhavam sozinhas à noite. A escolha revelava a covardia dos agressores, que evitavam confrontos com quem pudesse se defender.
Os crimes
Entre 25 de junho e 16 de julho de 2007, o grupo foi responsável por 29 crimes, dos quais 21 resultaram em morte. O modus operandi era brutal e direto. Utilizavam martelos, barras de metal e outros objetos contundentes. Os golpes eram desferidos preferencialmente na cabeça e no rosto das vítimas, com a intenção clara de desfigurar e eliminar qualquer vestígio de humanidade.
Muitas vítimas foram mutiladas ainda vivas. Há relatos de olhos arrancados e outras torturas. Em um dos casos mais hediondos, uma mulher grávida foi assassinada e o feto foi retirado do útero. As mortes ocorriam em diferentes pontos da cidade e em localidades próximas, como Novomoskovsk e áreas de mata.
Um dos assassinatos mais conhecidos foi o de Sergei Yatzenko, de 48 anos, em uma floresta próxima à cidade. O crime foi filmado e durou vários minutos. As imagens mostram a frieza e o sadismo dos agressores enquanto a vítima ainda estava consciente em alguns momentos.
Além dos assassinatos, o grupo também praticava roubos. Em alguns casos, as vítimas eram abordadas enquanto caminhavam ou eram levadas para locais isolados.
As filmagens
O que tornou o caso especialmente perturbador foi o registro audiovisual dos crimes. Nos celulares e computadores apreendidos foram encontradas centenas de fotos e vídeos. Parte do material mostrava os jovens posando ao lado de animais mortos, em cemitérios (onde zombavam das lápides) e, principalmente, durante e depois dos assassinatos.
Um vídeo de aproximadamente sete minutos, que registra a tortura e a morte de Sergei Yatzenko, vazou na internet e se espalhou rapidamente. As imagens se tornaram um dos exemplos mais conhecidos de “snuff” real e geraram debates éticos intensos sobre a circulação desse tipo de conteúdo.
A investigação e a prisão
A polícia demorou a estabelecer a conexão entre os diversos crimes no início, pois os corpos apareciam em locais diferentes e as vítimas eram, em muitos casos, pessoas marginalizadas. Com o aumento do número de mortes, a pressão sobre as autoridades cresceu.
A virada ocorreu em 23 de julho de 2007. Suprunyuk tentou vender um celular roubado de uma das vítimas em uma loja de penhores. Ao ligar o aparelho para provar que funcionava, o sinal foi rastreado. A polícia chegou ao local e prendeu Suprunyuk e Sayenko. Hanzha foi detido em seguida.
Nas residências e esconderijos dos jovens, a polícia encontrou armas manchadas de sangue, roupas, centenas de fotos e os vídeos dos crimes. As provas eram avassaladoras. Os três confessaram inicialmente, embora Suprunyuk tenha tentado retratar a confissão depois.
O julgamento
O processo começou em 2008 e se encerrou em fevereiro de 2009. Foram apresentadas quase 300 fotos macabras e os vídeos como prova. O julgamento foi acompanhado com grande atenção pela imprensa ucraniana e internacional.
Os promotores destacaram o caráter planejado e sádico dos crimes, a ausência de remorso e o fato de que muitos ataques foram cometidos apenas pelo prazer de matar. A perícia psiquiátrica considerou os três imputáveis.
As sentenças
Em 11 de fevereiro de 2009, o tribunal proferiu as condenações:
- Igor Suprunyuk: condenado por 21 assassinatos, roubos e crueldade contra animais → prisão perpétua.
- Viktor Sayenko: condenado por 18 assassinatos, roubos e crueldade contra animais → prisão perpétua.
- Alexander Hanzha: condenado por roubos armados (sem participação nos assassinatos) → 9 anos de prisão.
As defesas de Sayenko e Suprunyuk recorreram. O Supremo Tribunal da Ucrânia manteve as penas de prisão perpétua em novembro de 2009. Hanzha cumpriu a pena e foi liberado anos depois.
O tribunal apontou como principal motivação o desejo de “autoafirmação mórbida”. Não foi encontrada motivação sexual clara. Os crimes pareciam ser cometidos pelo puro prazer da violência e pelo registro do sofrimento alheio.
O impacto e o legado
O caso dos Maníacos de Dnepropetrovsk chocou a Ucrânia e o mundo pela juventude dos autores, pela frieza, pela brutalidade e pelo fato de terem filmado parte dos crimes. Levantou debates sobre violência juvenil, falhas na identificação precoce de comportamentos de risco, influência de conteúdos violentos e a responsabilidade da sociedade e das famílias.
Especialistas em criminologia estudaram o caso como exemplo de “thrill killers” — assassinos que matam pelo prazer e pela excitação. A ausência de um motivo tradicional (ódio, dinheiro, vingança ou sexo) tornou o episódio ainda mais perturbador.
As filmagens continuam circulando na internet até hoje e também foram compartilhadas em páginas e canais de conteúdo. O material voltou a ganhar atenção com novas publicações, mantendo o registro do caso em circulação nas redes.
Mais de 17 anos depois, o caso permanece como um dos capítulos mais sombrios da história criminal ucraniana. Serve como lembrete trágico de que o mal extremo pode se esconder atrás de rostos jovens e aparentemente comuns, e de que a violência gratuita e documentada continua a exercer um fascínio sombrio em certos círculos.
As vítimas, em sua maioria pessoas já fragilizadas pela vida, representam a face mais cruel da covardia humana. O trabalho da polícia e da Justiça conseguiu interromper a série de crimes e garantir que os principais responsáveis fossem retirados da sociedade de forma definitiva.
As vítimas dos Maníacos de Dnipropetrovsk
Dnipropetrovsk, Ucrânia | 2007
Entre março e julho de 2007, os assassinos em série Victor Sayenko e Igor Suprunyuk mataram 21 pessoas em Dnipropetrovsk e região. As vítimas, em ordem cronológica, foram:
- Viktor Gatunok, 61 anos — 3 de março de 2007.
- Vadim Bogdan, 23 anos — 24 de junho de 2007.
- Yekaterina Ilchenko, 33 anos — 25 de junho de 2007.
- Roman Tatarevich, 34/35 anos — 25 de junho de 2007.
- Alexey Kovbasa, 69 anos — 28 de junho de 2007.
- Valery Krivospitsky, 53 anos — 28 de junho de 2007.
- Yevgeniy Grischenko, 15 anos — 1º de julho de 2007.
- Nikolai Serchuk, 56 anos — 1º de julho de 2007.
- Egor Nechvoloda, 21 anos — início de julho de 2007.
- Elena Shram — início de julho de 2007.
- Valentina Hanzha, 51/53 anos — início de julho de 2007.
- Andrei Sidyuk, 14 anos — 7 de julho de 2007.
- Nikolai Pshenichko, 53 anos — início de julho de 2007.
- Vladimir Ravkovsky, 51 anos — julho de 2007.
- Nikolai Maryanchikov — julho de 2007.
- Valeria Lobachenko — julho de 2007.
- Sergei Yatsenko, 48 anos — 12 de julho de 2007.
- Regina Prokopenko, 85 anos — 12 de julho de 2007.
- Natalia Mamarchuk, 45 anos — julho de 2007.
- Vítima masculina não identificada — julho de 2007.
- Yuri Pekhotin, 47 anos — julho de 2007.
Entre os casos, o de Sergei Yatsenko ficou mundialmente conhecido porque seu assassinato foi registrado em vídeo, posteriormente divulgado com o título “3 Guys 1 Hammer”. Os crimes terminaram após a prisão dos responsáveis em julho de 2007.
Animais

































Esses Infelizes da pior espécie tinha que pegar perpétua ou pagar com mesma moeda Pena de morte.