Antes dos “Maníacos da Academia”, outro grupo de jovens chocou a Sibéria com crimes de uma brutalidade inimaginável. Liderados por um estudante de pedagogia expulso, a “Blood Magic Gang” transformou a violência contra moradores de rua em um macabro ritual de iniciação. Esta é a história de um caso que permanece como um dos capítulos mais sombrios da Rússia moderna.
O Líder: Konstantin Shumkov
Em 2007, Konstantin Shumkov tinha 19 anos e morava em Irkutsk, na Sibéria. Ex-estudante de pedagogia, ele foi expulso do instituto por baixo desempenho acadêmico. Seu sonho era ser professor do ensino fundamental — uma aspiração que, mais tarde, revelaria contornos perturbadores diante de seus atos.
Antes de recrutar seus seguidores, Shumkov já demonstrava uma predisposição para a crueldade. Ele tinha um histórico de torturar e matar animais. Psicólogos que o avaliaram posteriormente descreveram sua personalidade como portadora de “tendências cruéis e sádicas”. Em interrogatório, ele admitiu se considerar um maníaco. Guardava “trofes” de suas vítimas, como dedos e um olho preservado em álcool.
O Recrutamento: Adolescentes Vulneráveis
Shumkov não agiu sozinho. Ele recrutou quatro adolescentes, com idades entre 14 e 15 anos, todos moradores do distrito de Leninsky, em Irkutsk, e vindos de famílias disfuncionais. Jovens vulneráveis, sem perspectivas, que encontraram no líder mais velho uma figura de autoridade e pertencimento.
A dinâmica era clara: Shumkov era o mentor intelectual, o estrategista. Os adolescentes eram os executores. Juntos, formaram o que ficou conhecido como “Blood Magic Gang” — a Gangue da Magia Sangrenta.
Os Crimes: Janeiro a Junho de 2008
Entre janeiro e junho de 2008, a gangue cometeu uma série de crimes que chocaram até as autoridades mais experientes. As vítimas eram, em sua maioria, pessoas em situação de rua e idosos indefesos — indivíduos que a sociedade frequentemente ignora.
Os números oficiais da investigação:
- 5 assassinatos confirmados;
- 1 estupro;
- 3 pessoas gravemente feridas que sobreviveram, mas ficaram com deficiências permanentes.
Os ataques eram precedidos pelo consumo de álcool e drogas. A gangue espancava as vítimas com barras de ferro, pedras e bastões. Pelo menos uma pessoa foi queimada viva em uma fogueira. Shumkov declarou que os crimes eram motivados por “curiosidade” — para ver “como um ser humano morre”.
O Crime que Chocou a Cidade
O ato mais perturbador ocorreu em maio de 2008. A gangue assassinou e esquartejou um homem em situação de rua. Eles espalharam as partes do corpo no pátio de uma escola local — a escola nº 30 — e empalaram a cabeça da vítima no portão de entrada.
Quando questionados, os membros da gangue disseram que fizeram isso “por diversão”. Inicialmente, eles teriam considerado deixar os restos mortais em frente a uma delegacia de polícia, mas acharam que seria “imprudente demais”. A frieza com que trataram o ocorrido, misturando sadismo e leviandade, tornou o caso ainda mais perturbador.
A Prisão e o Julgamento
As investigações levaram à prisão dos membros da gangue. O julgamento ocorreu em 2010, no Tribunal Regional de Irkutsk.
As sentenças:
- Konstantin Shumkov: condenado a 25 anos de prisão. Cumpriria os primeiros 10 anos em regime de segurança máxima e os 15 anos restantes em colônia penal de regime severo.
- Os quatro adolescentes: receberam penas que variaram de 6 a 10 anos de reclusão em instituições correcionais juvenis.
A idade dos envolvidos e a brutalidade dos crimes levantaram questionamentos sobre o sistema de justiça juvenil e a eficácia das medidas socioeducativas na Rússia.
A Conexão com os “Maníacos da Academia”
O caso da “Blood Magic Gang” não foi um ponto isolado na história criminal de Irkutsk. Ele antecede e se conecta diretamente aos “Academy Maniacs” — Artyom Anoufriev e Nikita Lytkin —, que aterrorizaram o bairro de Akademgorodok entre 2010 e 2011.
A ligação é explícita: Nikita Lytkin criou um grupo em uma rede social chamado “Irkutsk anti-bum gang: Blood Magic”, uma clara referência e homenagem à gangue de Shumkov. Os “Academy Maniacs” demonstraram interesse nas atividades da gangue anterior, sugerindo uma linhagem de influência e admiração entre os crimes.
Essa conexão revela um padrão perturbador: jovens vulneráveis, buscando notoriedade e pertencimento, encontram em casos anteriores de violência extrema um modelo a ser seguido. A internet e as redes sociais, longe de serem apenas ferramentas de conexão, tornaram-se veículos para a glorificação de assassinos em série.
O Legado
O caso da “Blood Magic Gang” é lembrado como um dos mais brutais da Rússia moderna. Não apenas pela violência extrema contra pessoas em situação de vulnerabilidade, mas pela juventude dos envolvidos e pela frieza de seu líder.
Irkutsk, uma cidade universitária e acadêmica, viu-se no centro de uma série de casos de assassinos em série que chocaram o país. A “Blood Magic Gang” foi o primeiro capítulo de uma trágica sequência que culminaria nos “Academy Maniacs”.
Hoje, as ruas de Irkutsk voltaram à tranquilidade. Mas a memória desses crimes permanece — um alerta sobre como a indiferença social, a vulnerabilidade juvenil e a glorificação da violência podem se combinar para produzir o impensável. As vítimas, em sua maioria invisíveis para a sociedade, não foram esquecidas.










