Em janeiro de 2021, o corpo de uma jovem de 24 anos foi encontrado mutilado na Baía de Guanabara. O principal suspeito era seu ex-namorado, um chefe do tráfico conhecido como “DT”. A brutalidade do crime e a fuga do acusado transformaram o caso em um dos mais lembrados da criminalidade carioca. Esta é a história de Bianca Lourenço.
O Desaparecimento
Bianca Lourenço da Silva tinha 24 anos e morava na Penha, Zona Norte do Rio de Janeiro. Na noite de 3 de janeiro de 2021, ela participava de um churrasco com amigos quando foi surpreendida pela chegada de seu ex-namorado, Dalton Luiz Vieira Santana, conhecido como “DT”.
Testemunhas relataram que Dalton retirou Bianca à força do local. Ela não foi vista com vida novamente. A jovem havia terminado o relacionamento com o traficante, mas ele não aceitava o fim. Relatos posteriores indicam que Dalton se irritou com uma postagem de Bianca em uma foto de biquíni, o que teria sido o estopim para o ataque.
O Corpo Encontrado
Nove dias após o desaparecimento, em 12 de janeiro de 2021, o corpo de Bianca foi encontrado boiando em uma praia da Ilha do Fundão, na Baía de Guanabara. O cadáver estava decapitado e com os membros cortados. A brutalidade do crime chocou até os investigadores mais experientes.
A perícia confirmou que se tratava de Bianca. A causa da morte foi compatível com os ferimentos e a mutilação. O corpo havia sido jogado na baía, provavelmente para dificultar a identificação e despistar as autoridades.
O Suspeito: Dalton “DT” Vieira Santana
Dalton Luiz Vieira Santana não era um criminoso comum. A Polícia Civil o apontava como chefe do tráfico de drogas na comunidade da Kelson’s, na Penha. Ele tinha um extenso histórico criminal e contra si havia quatro mandados de prisão em aberto por tráfico de drogas e roubo.
A motivação do crime, segundo as investigações, foi a incapacidade de Dalton em aceitar o fim do relacionamento. Ele teria decidido matá-la por vingança após o término. A jovem já havia demonstrado medo do ex-namorado, que exercia domínio sobre a comunidade onde ela morava.
A Investigação e a Prisão Preventiva
Em 28 de janeiro de 2021, a Justiça decretou a prisão preventiva de Dalton e de outros dois suspeitos de envolvimento no crime, identificados como Enzo e Edgar. A polícia acreditava que eles haviam auxiliado na execução e na ocultação do corpo.
O Portal dos Procurados chegou a oferecer uma recompensa de R$ 2 mil por informações que levassem à prisão do traficante. No entanto, Dalton permaneceu foragido.
O pai de Bianca relatou ter precisado deixar o Rio de Janeiro por medo de retaliações, afirmando que Dalton tinha domínio sobre várias comunidades na cidade. A família da vítima viveu meses de angústia e insegurança, sem que o principal suspeito fosse capturado.
O Desfecho: A Morte de Dalton
Dalton “DT” permaneceu foragido por mais de cinco anos. Seu corpo foi encontrado sem vida dentro de um carro roubado na Zona Norte do Rio, na madrugada de 21 de junho de 2026.
Segundo as investigações, ele teria sido executado pelo próprio “tribunal do tráfico”, sob a acusação de traição. A morte de Dalton encerrou a busca pelo principal suspeito do assassinato de Bianca, mas também significou que ele nunca seria julgado pelo crime. A família da jovem não teve a oportunidade de ver a Justiça ser feita.
O Legado de um Caso Brutal
O assassinato de Bianca Lourenço é lembrado como um dos crimes mais brutais da história recente do Rio de Janeiro. A jovem de 24 anos foi vítima de um homem que não aceitou o fim de um relacionamento e usou sua posição de poder no tráfico para cometer um ato de violência extrema.
O caso também expôs a vulnerabilidade de mulheres que se relacionam com criminosos e a dificuldade das autoridades em capturar suspeitos que exercem domínio sobre comunidades inteiras. A fuga de Dalton por anos, seguida de sua execução sumária, deixou um vazio de justiça para a família de Bianca.
Hoje, a Penha segue sua rotina. Mas a memória de Bianca permanece — um lembrete de que a violência de gênero, quando combinada com o poder do crime organizado, pode produzir tragédias que marcam uma cidade inteira. Sua história não foi esquecida.



















