Os Maníacos da Academia: A História dos Assassinos que Aterrorizaram Irkutsk

Em 2011, dois adolescentes russos chocaram o país ao serem presos por uma série de crimes brutais cometidos com martelos e facas. Conhecidos como “Maníacos da Academia”, Artyom Anoufriev e Nikita Lytkin transformaram um bairro universitário em cenário de terror. Esta é a história de um dos casos mais perturbadores da Rússia moderna.


O Cenário: Akademgorodok

O distrito de Akademgorodok, em Irkutsk, na Sibéria, é conhecido por abrigar institutos de pesquisa e a elite acadêmica da região. Ruas arborizadas, prédios universitários e uma comunidade tranquila. Mas, entre novembro de 2010 e abril de 2011, esse cenário pacífico se tornou o palco de uma série de ataques violentos que deixaram seis mortos e nove feridos.

As autoridades locais inicialmente relutaram em admitir que havia um assassino em série em ação. Os ataques pareciam aleatórios: pessoas em situação de rua, idosos, uma criança. Todos eram atacados à noite, geralmente com golpes de martelo ou faca. A população de Irkutsk vivia com medo.

Os Perpetradores: Uma Dupla Improvável

Artyom Anoufriev e Nikita Lytkin eram amigos desde a infância. Cresceram em famílias desestruturadas e se tornaram jovens isolados, sem amigos próximos além um do outro. A dinâmica entre eles era clara: Artyom era o líder intelectual, o estrategista; Nikita, o executor, mais impulsivo e violento.

Artyom Alexandrovich Anoufriev nasceu em 4 de outubro de 1992. Seu pai abandonou a família cedo, e sua mãe, segundo relatos posteriores, exercia uma influência tóxica, chegando a incentivar o filho a odiar as pessoas. Artyom era estudante universitário e demonstrava interesse por ideologias extremistas. Participou de uma marcha neonazista na Rússia e admirava outros assassinos em série, como Alexander Pichushkin, o “Maníaco de Bitsa”.

Nikita Vakhtangovich Lytkin nasceu em 24 de março de 1993. Também teve uma infância conturbada, com a ausência do pai e episódios de bullying na escola. Abandonou os estudos e passou a viver isolado, dedicando-se a jogos violentos e vídeos perturbadores na internet. Ele via em Artyom uma figura de autoridade.

Juntos, os dois formaram uma “comunidade” baseada em misantropia e ódio. A investigação posterior concluiu que eles buscavam notoriedade e inspiração em outros casos de assassinos em série que gravavam seus crimes.

A Série de Crimes

O primeiro ataque registrado ocorreu em 14 de novembro de 2010. A dupla atacou um homem em situação de rua com um martelo, mas a vítima sobreviveu. A partir daí, os crimes se intensificaram.

Em 1º de dezembro de 2010, a dupla assassinou Daniil Semyonov, de apenas 12 anos. O menino foi atacado quando voltava da escola. O crime chocou a comunidade local, mas as autoridades ainda não ligavam os pontos.

Em 16 de dezembro de 2010, a vítima foi Olga Pirog, uma cientista respeitada de 69 anos que trabalhava em um instituto de pesquisa local. Ela foi atacada enquanto caminhava para casa. A brutalidade do crime — golpes de martelo na cabeça — indicava que não se tratava de um assalto, mas de puro sadismo.

Nos meses seguintes, outros ataques ocorreram. Alexander Maximov foi morto em fevereiro de 2011. Roman Faizullin foi assassinado em março. Além disso, pessoas em situação de rua foram atacadas e mortas, e outras nove pessoas ficaram feridas em tentativas de homicídio.

O que mais tarde se descobriu é que a dupla não apenas matava: eles zombavam dos corpos. Em um dos ataques, gravaram um vídeo em que aparecem rindo e profanando o cadáver de uma das vítimas. Esse material seria a chave para a prisão deles.

A Prisão e a Descoberta do Vídeo

O erro que levou à captura da dupla foi doméstico. O tio de Nikita Lytkin encontrou um cartão de memória com um vídeo gravado pelos dois. O conteúdo era tão perturbador — mostrando o assassinato de uma mulher e a profanação de seu corpo — que ele imediatamente entregou o material à polícia.

A polícia identificou os jovens e, em 5 de abril de 2011, prendeu Artyom e Nikita em suas próprias casas, no mesmo bairro onde cometiam os crimes. A prisão foi rápida e sem resistência. A notícia se espalhou: os “Maníacos da Academia” haviam sido capturados.

A investigação revelou que a dupla planejava seus ataques, escolhendo vítimas que consideravam “fracas” e agindo sempre à noite. Eles usavam martelos, facas e bastões. A perícia psiquiátrica concluiu que ambos eram mentalmente capazes e cientes de seus atos — ou seja, não poderiam ser considerados inimputáveis.

O Julgamento e as Sentenças

O julgamento começou em 2012 e se estendeu por meses. A promotoria descreveu os crimes como “extremamente brutais” e motivados por ódio e busca por notoriedade. A defesa tentou argumentar que os jovens tinham transtornos mentais, mas os peritos rejeitaram essa tese.

Em 2 de abril de 2013, o Tribunal Regional de Irkutsk proferiu a sentença:

  • Artyom Anoufriev foi condenado à prisão perpétua em regime especial. Ele foi considerado o mentor intelectual e recebeu a pena máxima.
  • Nikita Lytkin foi condenado a 24 anos de prisão. No entanto, como era menor de idade quando a maioria dos crimes foi cometida (17 anos), a Suprema Corte da Rússia posteriormente reduziu sua pena para 20 anos.

Ambos foram condenados por múltiplos artigos: assassinato qualificado, tentativa de assassinato, profanação de cadáveres, organização de comunidade extremista e roubo.

O Fim de Nikita Lytkin

Nikita Lytkin cumpria pena na Colônia Correcional nº 7, em Angarsk, quando, em 30 de novembro de 2021, foi encontrado morto em sua cela. Ele havia cortado os pulsos. Ele foi levado ao hospital, mas não resistiu. Tinha 28 anos.

A morte foi oficialmente registrada como suicídio. Lytkin cumpriu cerca de metade de sua pena. Sua morte encerrou um capítulo do caso, mas não apagou o horror que ele e Artyom infligiram à comunidade de Irkutsk.

Artyom Anoufriev permanece cumprindo prisão perpétua. Ele não demonstrou arrependimento público e, segundo relatos, continua isolado no sistema prisional russo.

O Legado de um Caso Brutal

O caso dos “Maníacos da Academia” é lembrado como um dos mais perturbadores da Rússia moderna. Não apenas pela brutalidade dos crimes, mas pela juventude dos assassinos — dois adolescentes que, em teoria, deveriam estar na escola ou na universidade.

A investigação também marcou um precedente: foi a primeira vez que um crime de extremismo violento em Irkutsk foi solucionado com o auxílio de ciência forense, incluindo a análise do vídeo gravado pela dupla. O material, embora nunca tenha sido divulgado publicamente na íntegra, serviu como prova contundente no tribunal.

O caso também levantou discussões sobre a influência da internet e de conteúdos violentos na mente de jovens vulneráveis. Artyom e Nikita consumiam vídeos de outros assassinos em série, como os “Maníacos de Dnepropetrovsk”, que também gravaram seus crimes. A dupla russa claramente tentou imitar seus ídolos.

Hoje, Akademgorodok voltou à tranquilidade. Mas a memória dos crimes de 2010 e 2011 permanece. As famílias das vítimas ainda lutam para superar a perda. E o caso serve como um alerta sombrio sobre como duas mentes perturbadas podem se unir para cometer o impensável.

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