Paola Avaly Corrêa, uma jovem de 18 anos nascida em 21 de agosto de 1999 em Porto Alegre (RS), viveu uma história marcada por um relacionamento tóxico que a levou ao centro do mundo do crime organizado. Seu namoro com um traficante preso transformou-se em uma tragédia brutal: sequestro, tortura psicológica, obrigação de entrar viva na própria cova e execução filmada. O crime, ocorrido em maio de 2018, chocou o Rio Grande do Sul pela crueldade e pela forma como foi documentado e divulgado pelos próprios assassinos.
O Relacionamento que Virou Armadilha
Tudo começou em 2017, quando Paola, então com 17 anos, conheceu Nathan Sirangelo pelas redes sociais. Nathan, na época com 23 anos, já era uma figura influente no tráfico de drogas no bairro Bom Jesus, zona leste de Porto Alegre. Ele cumpria pena na Cadeia Pública da Capital (o antigo Presídio Central) por crimes como tráfico, porte ilegal de arma e tentativa de homicídio.
Apesar da prisão, o namoro seguiu em frente. Paola fazia visitas íntimas ao presídio, e o relacionamento parecia apaixonado para ela. No entanto, era marcado por agressões físicas e verbais constantes. Familiares e conhecidos relatavam que a jovem aparecia com hematomas frequentes, sinais claros de violência doméstica. Ela morava no bairro Lomba do Pinheiro, área próxima à influência da facção que Nathan comandava mesmo de dentro da cela.
O fim do namoro veio em 2018, e Paola não ficou quieta. Em postagens públicas nas redes sociais, ela o chamou de “corno”, “otário” e “piá”, expondo traições e questionando sua masculinidade e liderança no tráfico. Para Nathan, isso representava uma humilhação imperdoável: ser desmoralizado por uma ex-namorada abalava sua autoridade perante subordinados e rivais no crime organizado.
A Ordem de Dentro da Prisão
De dentro da cadeia, Nathan ordenou a vingança. Ele coordenou tudo por mensagens e ligações, delegando a execução a comparsas leais da facção. Não houve pagamento em dinheiro — era uma “troca de favores” dentro do grupo criminoso. O mandante não precisava estar presente fisicamente; seu poder se estendia além das grades.
No dia 13 de maio de 2018, Paola foi atraída por conhecidos para um encontro que se transformou em sequestro. Levada para um matagal na Vila Tamanca (ou Vila Esmeralda), na Lomba do Pinheiro, ela foi amarrada e mantida no local por cerca de nove horas. Os criminosos a obrigaram a entrar em uma cova rasa já preparada — ela deitou viva no buraco que seria seu túmulo. Durante esse tempo, sofreu tortura psicológica: conversou ao telefone com Nathan, pedindo desculpas, mas nada adiantou.
A execução foi realizada com tiros no rosto e na cabeça, causando morte imediata por traumatismo craniano. Tudo foi gravado no celular da própria vítima por uma das participantes, Thais Cristina dos Santos. O vídeo, mostrando os momentos finais da jovem na cova, circulou rapidamente em grupos de WhatsApp e redes sociais, servindo como “prova” de intimidação e exemplo para quem ousasse desafiar a facção.
O corpo foi deixado no matagal e encontrado quatro dias depois, em 17 de maio, após buscas policiais intensas.
O Julgamento e as Condenações
A Polícia Civil investigou o caso como feminicídio triplamente qualificado (motivo torpe/fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa), além de ocultação de cadáver e associação ao tráfico. Seis pessoas foram acusadas e julgadas em júris populares na 4ª Vara do Júri de Porto Alegre, especializada em feminicídios, em fevereiro e março de 2023.
Os julgamentos ocorreram em sessões separadas:
- Nathan Sirangelo (mandante): condenado a 36 anos de reclusão em regime fechado.
- Bruno Cardoso Oliveira (um dos executores): 31 anos de reclusão em regime fechado.
- Thais Cristina dos Santos (gravou o vídeo): 9 anos de reclusão (pôde recorrer em liberdade).
- Vinicius Matheus da Silva, Carlos Cleomir Rodrigues da Silva e Paulo Henrique Silveira Merlo: penas variando de 9 a 30 anos, por homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
As defesas recorreram, mas as condenações iniciais foram mantidas. O Ministério Público destacou que o crime misturava vingança pessoal com demonstração de poder no tráfico, e que as postagens de Paola foram o estopim que Nathan não suportou.
O Legado de uma Tragédia Anunciada
O caso de Paola Avaly Corrêa expôs falhas graves no sistema penitenciário brasileiro: presos continuam comandando crimes e intimidando de dentro das celas via celulares. Também reforçou debates sobre violência de gênero em periferias dominadas pelo tráfico, onde mulheres são punidas brutalmente por desafiar homens “poderosos”.
O vídeo da execução, embora tenha ajudado nas investigações, causou revitimização à família e circulou anos depois em contextos de discussões sobre o domínio do crime organizado. Autoridades sempre alertam: divulgar esse tipo de material é ilegal e agrava o sofrimento dos parentes.
Paola era vista por quem a conhecia como uma jovem alegre, que sonhava com uma vida melhor longe da violência. Seu envolvimento com um traficante a colocou em uma rede da qual não conseguiu escapar. A história serve como alerta doloroso: “gostar de traficante” pode começar como romance ou aventura, mas frequentemente termina em controle absoluto, humilhação e morte. Anos após o crime, o caso continua a ser lembrado como exemplo da crueldade que o tráfico impõe às comunidades e às mulheres que cruzam seu caminho.









































Tava procurando esse caso, infelizmente era até bonita não sou de apontar ninguém mas nada justifica o injustificável, ela pediu sinal o sinal veio.
É horrível, mais infelizmente ela procurou..
Ela cavou a própria cova, não sou de julgar ninguém mas ela gostava desse ramo e quem procura acha!!! Ela sabia que podia acontecer isso e testou a sorte e acabou com a própria vida.
Morreu obediente, sem fazer barulho, sem espernear, já deitou logo na cova pra não ter queda!!