Caso da Pedra da Macumba: A Morte de Geralda Lúcia Ferraz Guabiraba em Mairiporã

Mairiporã, São Paulo – Em janeiro de 2012, a cidade de Mairiporã, na Grande São Paulo, foi palco de um caso que chamou atenção pela combinação de elementos misteriosos e trágicos. Geralda Lúcia Ferraz Guabiraba, uma dona de casa de 54 anos, foi encontrada morta ao lado de seu carro em um local conhecido como Pedra da Macumba, na Estrada de Santa Inês, no quilômetro 8. O episódio, inicialmente envolto em especulações sobre rituais religiosos, acabou sendo esclarecido como um suicídio após investigações detalhadas da polícia.

Geralda era casada com um diretor de um grupo de comunicação e mãe de dois filhos. Ela residia em um condomínio na região e levava uma vida aparentemente comum, mas enfrentava problemas de saúde mental, incluindo depressão diagnosticada. Na noite de 13 de janeiro de 2012, por volta das 23h, ela saiu de casa sozinha, levando consigo uma sacola contendo uma garrafa e um copo. Antes de partir, descartou joias pessoais e medicamentos antidepressivos, o que mais tarde seria interpretado como um sinal de intenção deliberada.

O corpo foi descoberto na madrugada do dia 14 de janeiro por um casal que passava pela estrada. Geralda estava ao lado de seu veículo, um carro particular, em uma área de mata fechada à beira da rodovia. O local, apelidado de Pedra da Macumba, é uma grande rocha natural frequentemente utilizada para práticas religiosas de matriz africana, como oferendas de velas, flores, frutas, garrafas de bebidas e, ocasionalmente, restos de animais em rituais. Essa característica do ponto gerou hipóteses iniciais de que a morte pudesse estar ligada a algum tipo de cerimônia ou vingança ritualística, especialmente devido ao estado do corpo: apresentava um corte profundo no pescoço e mutilações no rosto, incluindo ausência de olhos e pele desfigurada.

A Polícia Civil de Mairiporã foi acionada imediatamente e transferiu o caso para o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da capital paulista, dada a complexidade aparente. As investigações incluíram análise de câmeras de segurança do condomínio, que confirmaram que Geralda saiu sozinha e sem sinais de coação. Não foram identificados veículos ou pessoas a seguindo nas imagens disponíveis.

Laudos necroscópicos e toxicológicos revelaram que a causa da morte foi envenenamento por chumbinho, um raticida comum, misturado a sedativos. O corte no pescoço foi considerado auto-infligido, possivelmente como parte do ato final ou uma tentativa adicional. Quanto às mutilações faciais, peritos concluíram que foram causadas por animais da fauna local, como cães ou roedores, que agiram sobre o corpo após a morte, enquanto ele permaneceu exposto na mata durante a noite.

Testemunhas ouvidas relataram que Geralda não tinha inimigos conhecidos ou envolvimento com religiões afro-brasileiras. A família confirmou o histórico de depressão, tratado com medicamentos, e sugeriu que o local escolhido poderia ter um significado pessoal ou simbólico para ela, talvez relacionado a crenças ou curiosidade, mas sem indícios de participação em rituais. Hipóteses de crime passional ou vingança foram descartadas por falta de evidências, como impressões digitais estranhas, armas ou motivos concretos.

Em março de 2012, o inquérito foi concluído com a classificação de suicídio, e o caso foi arquivado em 2014 após laudos finais. A escolha da Pedra da Macumba como local pode ter sido aleatória ou influenciada pela proximidade e pelo isolamento da área, comum em casos semelhantes onde a pessoa busca privacidade.

Esse episódio destacou questões sobre saúde mental no Brasil, onde a depressão afeta milhões de pessoas e nem sempre recebe atenção adequada. Em Mairiporã e arredores, o local continua sendo usado para práticas religiosas, mas o caso serviu como alerta para a necessidade de monitoramento de áreas isoladas e apoio psicológico comunitário.

Até hoje, o caso é lembrado em discussões sobre mistérios urbanos, embora a conclusão oficial tenha dissipado as teorias mais sensacionalistas. A família de Geralda optou por privacidade, e não há registros de reabertura do inquérito.

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