O Caso Ingrid Bueno, um dos crimes mais chocantes da cena gamer brasileira, completou quase cinco anos em fevereiro de 2026. O assassinato brutal de uma jovem promessa dos e-sports mobile chocou o país e levantou debates sobre violência de gênero, riscos de relações virtuais e saúde mental na comunidade online.
Ingrid Oliveira Bueno da Silva, de 19 anos, era conhecida na comunidade de Call of Duty: Mobile como “Sol”. Ela integrava a equipe FBI E-Sports (Fantastic Brazil Impact), uma das principais organizações brasileiras de esports mobile na época. Ingrid se destacava pela habilidade no jogo, carisma nas lives e streams, e pela dedicação à cena competitiva. Muitos a descreviam como uma pessoa alegre, talentosa e inspiradora para outras garotas que queriam entrar no mundo dos games profissionais.
Em 22 de fevereiro de 2021, Ingrid foi até a casa de Guilherme Alves Costa, então com 18 anos, no bairro de Pirituba, Zona Norte de São Paulo. Os dois se conheceram pela internet cerca de um mês antes, jogando online e mantendo contato frequente. Guilherme, que jogava em outra equipe chamada Gamers Elite e usava os nicknames “Flashlight” ou “Flash Amodeus”, convidou Ingrid para um encontro presencial – possivelmente para jogar juntos ou por interesse pessoal.
Na residência dele, o que começou como um encontro amigável terminou em tragédia. Guilherme atacou Ingrid com facas e uma espada, desferindo múltiplos golpes violentos, incluindo tentativas de degola. O crime foi extremamente cruel e motivado por razões fúteis, segundo a acusação.
Após o assassinato, Guilherme gravou vídeos do corpo da vítima (com cenas chocantes e explícitas), compartilhou o material com contatos via WhatsApp e chegou a enviar detalhes e imagens para terceiros. Em mensagens, ele confessou o ato de forma fria, dizendo frases como “fiz porque quis” e expressando uma estranha satisfação. Ele havia planejado o crime com antecedência – havia anotações em um caderno sobre isso – e chegou a considerar suicídio, mas foi dissuadido pelo irmão e se entregou à polícia horas depois.
Guilherme foi preso em flagrante e confessou o crime inicialmente. A defesa alegou transtorno delirante persistente e traços de personalidade antissocial, pedindo exame de insanidade mental. No entanto, laudos periciais oficiais do Tribunal de Justiça de São Paulo concluíram que ele estava plenamente consciente e capaz de entender a natureza ilícita do ato no momento do crime.
Em agosto de 2022, após júri popular no Fórum Criminal da Barra Funda (SP), Guilherme Alves Costa foi condenado a 14 anos de prisão por homicídio qualificado (motivo fútil e emprego de meio cruel). A pena é cumprida em regime fechado, com acompanhamento psicológico obrigatório. Ele não teve direito a recorrer em liberdade e permanece detido desde então.
Em 2023, houve uma reviravolta temporária: Guilherme apontou suposta participação de outras quatro pessoas no planejamento, o que levou à prisão temporária de indivíduos ligados a um grupo no Discord. No entanto, o caso principal contra ele foi mantido como encerrado, com a condenação firme.
O assassinato gerou comoção imediata na cena de esports mobile brasileira e internacional. A equipe FBI E-Sports emitiu nota oficial lamentando a perda, descrevendo Ingrid como “uma pessoa extraordinária, brilhante e cheia de vida”. O caso repercutiu em veículos de todo o Brasil e no exterior, trazendo à tona discussões sobre misoginia no ambiente gamer, assédio online, perigos de encontros virtuais que migram para o presencial e a necessidade de maior cuidado em interações na internet.
Cinco anos depois, o Caso Ingrid Bueno permanece como um lembrete doloroso dos extremos que a violência pode alcançar – especialmente contra mulheres em espaços digitais predominantemente masculinos. Ingrid “Sol” continua sendo lembrada por sua paixão pelos games e pelo legado que deixou na comunidade.
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