Chacina durante live após assassinato de dois PMs em Camaragibe-PE


Na noite de 14 de setembro de 2023, os policiais militares Eduardo Roque Barbosa de Santana, 33 anos, e Rodolfo José da Silva, 38, foram acionados para averiguar uma denúncia de disparos de arma de fogo no bairro de Tabatinga, em Camaragibe, Região Metropolitana do Recife. Ao chegarem ao local, os dois militares foram mortos em troca de tiros com o vigilante Alex da Silva Barbosa, 33 anos, conhecido como “Alex Samurai”. Durante o confronto, Ana Letícia Carias da Silva, 19 anos, que estava grávida de sete meses, foi atingida por bala perdida após ser usada como escudo humano pelo atirador. Ela foi socorrida, passou mais de um mês internada em estado grave, teve a bebê entregue por cesariana em coma e morreu em 21 de outubro de 2023, elevando para nove o número de vítimas fatais na sequência de eventos.

PMS ASSASSINADOS 


Nas horas seguintes ao confronto inicial, iniciou-se uma operação classificada pelo Ministério Público de Pernambuco como “vingança”. Por volta das 2h do dia 15 de setembro, três irmãos de Alex — Ágata Ayanne da Silva, 30 anos, Amerson Juliano da Silva e Apuynã Lucas da Silva, ambos de 25 — foram abordados por homens encapuzados e armados na Rua São Geraldo, em Tabatinga. Ágata transmitiu ao vivo pelo Instagram a aproximação dos atiradores e o momento dos disparos. Nas imagens, é possível ouvir um dos executores ordenando: “Bota a mão na cabeça, porra. Ajoelha, filho da puta”, seguido de cinco disparos. Ágata e Amerson morreram no local; Apuynã foi socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.


Ainda na manhã do dia 15, Alex da Silva Barbosa foi localizado e morto em novo confronto com policiais militares no mesmo bairro. A investigação concluiu que houve legítima defesa e o inquérito foi arquivado. Posteriormente, os corpos da mãe de Alex, Maria José Pereira da Silva, e de sua esposa, Maria Nathalia Campelo do Nascimento, 27 anos, foram encontrados em um canavial no município de Paudalho, na Zona da Mata de Pernambuco. Até o momento, os autores dessas duas mortes não foram identificados e o inquérito segue em andamento.


Em março de 2024, a Justiça de Pernambuco aceitou denúncia do Ministério Público e transformou em réus 12 policiais militares por participação no triplo homicídio duplamente qualificado dos irmãos de Alex. Os acusados respondem pelos crimes de assassinato com motivo torpe e emboscada. Entre os réus estão três oficiais: Fábio Roberto Rufino da Silva, à época comandante do 20º Batalhão da PM; Marcos Túlio Gonçalves Martins Pacheco, que ocupava cargo de inteligência; e o 1º tenente João Thiago Aureliano Pedrosa Soares. Os demais são praças: Paulo Henrique Ferreira Dias, Leilane Barbosa Albuquerque, Emanuel de Souza Rocha Júnior, Dorival Alves Cabral Filho, Fábio Júnior de Oliveira Borba, Diego Galdino Gomes, Janecleia Izabel Barbosa da Silva, Eduardo de Araújo Silva e Cesar Augusto da Silva Roseno.


Diálogos apreendidos em celulares dos investigados registram comemorações após as execuções, com mensagens como “Tô feliz, tem que ser assim”. O Ministério Público aponta Fábio Rufino e Marcos Túlio como mentores da operação. Atualmente, todos os réus respondem ao processo em liberdade, após o Tribunal de Justiça de Pernambuco conceder habeas corpus em 2025. As defesas negam participação nos crimes.


Além dos homicídios, os mesmos policiais respondem na Justiça Militar por tortura, relacionada à abordagem violenta contra uma cunhada de Alex e um motorista de aplicativo na noite dos fatos. Os dois teriam sido ameaçados, sob violência física e psicológica, para fornecer informações sobre o paradeiro do vigilante. Paralelamente, tramitam processos administrativos disciplinares na Corregedoria da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, sem prazo previsto para conclusão.


Em fevereiro de 2026, a juíza Marília Falcone Gomes, titular da 1ª Vara Criminal de Camaragibe, marcou para os dias 4 e 11 de junho os interrogatórios dos 12 réus, encerrando a fase de instrução processual. Após os depoimentos, Ministério Público e defesas apresentarão alegações finais, cabendo à magistrada decidir se os policiais serão enviados a júri popular. A chacina de Camaragibe é considerada a maior registrada em Pernambuco nos últimos cinco anos e a primeira sob o governo Raquel Lyra, gerando crise na segurança pública estadual e exigindo posicionamentos oficiais das autoridades.

Família Destruída

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