A “gravata colombiana”, conhecida em espanhol como “corbata colombiana”, é um termo que evoca imagens de extrema violência e intimidação no mundo do crime organizado, particularmente associado aos cartéis de drogas na Colômbia. Esse método de execução não é apenas uma forma de assassinato, mas uma declaração simbólica de poder e silêncio forçado. Utilizado para punir traidores, informantes ou rivais, ele consiste em um corte horizontal na garganta da vítima, seguido pela extração da língua através do ferimento, criando uma aparência grotesca que lembra uma gravata pendurada no pescoço. O objetivo principal é enviar uma mensagem clara: quem fala demais, ou “abre a boca” contra o cartel, acaba calado para sempre de maneira aterrorizante.
Essa prática ganhou notoriedade global por meio de relatos jornalísticos, séries de TV e filmes que retratam a era do narcotráfico colombiano, mas suas raízes vão além dos anos de glória dos grandes cartéis. Ela representa o ápice da brutalidade humana em contextos de conflito armado e crime organizado, servindo como ferramenta psicológica para manter o controle sobre territórios e pessoas.
Origens Históricas: Da “La Violencia” aos Tempos Modernos
Embora muitos associem a gravata colombiana diretamente aos cartéis de drogas dos anos 1980 e 1990, sua origem remonta a um período anterior na história colombiana. Durante a era conhecida como “La Violencia”, entre 1948 e 1958, a Colômbia viveu uma guerra civil sangrenta entre liberais e conservadores. Nesse conflito, grupos paramilitares e guerrilheiros usavam métodos extremos de mutilação para aterrorizar opositores políticos e comunidades rurais. A gravata colombiana surgiu nesse contexto como uma forma de punição simbólica, especialmente contra aqueles acusados de delação ou traição.
Com o passar das décadas, essa técnica foi adotada e refinada por organizações criminosas. Na década de 1970, com o surgimento do narcotráfico em larga escala, os cartéis incorporaram práticas como essa para consolidar seu domínio. O método se espalhou pela América do Sul, sendo relatado em países como México e Brasil, mas sempre com forte ligação à Colômbia. Ele não era apenas uma execução rápida; era um ritual que exigia tempo e precisão, muitas vezes realizado pós-morte para maximizar o impacto visual e psicológico sobre sobreviventes ou rivais.
O Papel nos Cartéis de Drogas: Intimidação e Controle
Os cartéis colombianos, como o de Medellín e o de Cali, elevaram a gravata colombiana a um nível de infâmia internacional. Liderado por figuras como Pablo Escobar, o Cartel de Medellín, nos anos 1980, usava essa prática para eliminar policiais, juízes, jornalistas e até políticos que ameaçavam suas operações. Escobar, conhecido por sua guerra aberta contra o Estado colombiano, ordenava execuções que serviam como avisos públicos. Corpos mutilados eram deixados em ruas ou praças para que todos vissem o preço da traição.
Já o Cartel de Cali, mais discreto e empresarial, adotava métodos semelhantes, mas com um foco maior em lavagem de dinheiro e infiltração em instituições. Seus líderes, como os irmãos Orejuela, preferiam operar nas sombras, mas não hesitavam em recorrer à violência simbólica quando necessário. A gravata colombiana se tornava uma “assinatura” em disputas territoriais, especialmente durante a transição de poder após a queda de Medellín, quando Cali assumiu o controle do mercado de cocaína.
Exemplos notórios incluem ataques a informantes da DEA (agência antidrogas dos EUA) ou rivais de outros cartéis. Em um caso amplamente relatado, membros de cartéis mexicanos, influenciados pelos colombianos, usaram variações dessa técnica em guerras contra grupos como o Cartel de Sinaloa. A mensagem era sempre a mesma: o silêncio é ouro, e a tagarelice leva à morte.
Impacto Cultural e Social: Da Realidade à Ficção
A gravata colombiana transcendeu o mundo do crime para se tornar um elemento cultural sombrio. Ela aparece em produções como a série “Narcos”, que dramatiza a vida de Pablo Escobar, ou em filmes como “Sicario”, que exploram o narcotráfico. Essas representações, embora ficcionalizadas, destacam o terror psicológico imposto pelos cartéis, contribuindo para a imagem da Colômbia como epicentro da violência narco.
Socialmente, essa prática reflete os traumas profundos da sociedade colombiana. Durante os anos de pico do narcoterrorismo, milhares de vidas foram perdidas em atentados e execuções. O governo colombiano, em aliança com os EUA, lançou operações como a caçada a Escobar, que culminou em sua morte em 1993, marcando o declínio do Cartel de Medellín. No entanto, o legado de violência persiste, com novos grupos emergindo e adaptando métodos antigos.
Hoje, com a paz relativa após acordos com guerrilhas como as FARC, a Colômbia busca superar esse passado. Organizações de direitos humanos documentam casos para promover justiça e memória, enquanto a sociedade reflete sobre como o medo imposto por práticas como a gravata colombiana moldou gerações.
Conclusão: Lições de um Passado Violento
A gravata colombiana não é apenas uma curiosidade macabra; é um lembrete da capacidade humana para a crueldade em nome do poder. Nos cartéis, ela simbolizava o controle absoluto, transformando corpos em mensagens vivas (ou mortas) de intimidação. Embora os grandes cartéis colombianos tenham sido desmantelados, variações dessa violência ainda ocorrem em regiões afetadas pelo tráfico global.
Entender sua história ajuda a compreender as raízes do narcotráfico e a importância de políticas de segurança e educação para prevenir ciclos de violência. No final, a verdadeira “gravata” que amarra esses eventos é a impunidade, e cortá-la requer esforço coletivo para um futuro mais pacífico.












Fazem isso porque o Estado deixar tomar conta. Veja se existe coisas parecidas em países sérios: Estados Unidos, Alemanha etc..