Casal torturado e queimado vivo em Palhoça: o crime que chocou Santa Catarina em novembro de 2017

Em novembro de 2017, o casal Rudimar Gonçalves Müller, de 18 anos, e Thuane Gonçalves da Cruz, de 20 anos, foi mantido em cárcere privado, torturado e executado de forma extremamente cruel por integrantes de uma facção criminosa na Grande Florianópolis. Os corpos carbonizados foram encontrados em locais diferentes e o crime foi filmado pelos próprios autores, que divulgaram as imagens nas redes sociais.

O contexto e a motivação

Rudimar e Thuane namoravam há cerca de quatro meses e, segundo a denúncia do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), auxiliavam um dos acusados — Deivid Henrique Mariano — em atividades de tráfico de drogas.

Na noite de 19 de novembro de 2017, o casal foi abordado pela polícia e liberado em seguida, pois não portava nada ilícito. Os criminosos desconfiaram da liberação rápida e passaram a acreditar que os dois haviam delatado (“caguetado”) o grupo. Houve ainda a informação de que o casal havia curtido uma foto em rede social de um integrante de facção rival. Esses dois fatores foram apontados como motivo da “falta de lealdade” que levou à decisão de matá-los.

O sequestro e a tortura

A partir da noite de 19 de novembro, Rudimar e Thuane foram levados para a residência de um dos suspeitos (Sidnei Valmir Silveira de Melo e sua companheira Pamela Franciele Lopes da Rosa). Lá, foram mantidos em cárcere privado, interrogados com violência e submetidos a intenso sofrimento físico e psicológico. O interrogatório foi gravado para ser usado como “prova” perante outras lideranças da organização criminosa.

As execuções

Na noite seguinte (20 para 21 de novembro), por ordem das lideranças da facção:

  • Rudimar foi levado a um terreno baldio no bairro Aririú, em Palhoça. Sofreu diversos golpes de facão e foi queimado ainda vivo.
  • Thuane foi transportada para uma estrada isolada no município de Águas Mornas (cerca de 20 km de distância) e assassinada da mesma forma: golpes e fogo.

Os criminosos filmaram as execuções e celebraram depois com os corpos. Junto ao corpo de Rudimar foi deixada uma placa com os dizeres “morreu porque é cagueta”.

Descoberta dos corpos e investigação

  • Em 22 de novembro de 2017, moradores encontraram o corpo carbonizado de Rudimar no terreno baldio de Palhoça.
  • O corpo de Thuane foi localizado dias depois em Águas Mornas e identificado pelo Instituto Médico Legal no dia 25 de novembro, por meio de impressões digitais.

A polícia teve acesso ao vídeo da execução, que circulava nas redes sociais e no WhatsApp. A partir das imagens e de investigações da Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Palhoça, cinco suspeitos foram presos no sábado, 25 de novembro, no bairro Alto Aririú. Depois, o número de denunciados chegou a seis.

Os acusados e as condenações

O Ministério Público denunciou os envolvidos por:

  • Homicídio triplamente qualificado (motivo torpe/fútil, tortura, emprego de fogo e impossibilidade de defesa da vítima)
  • Cárcere privado
  • Vilipêndio de cadáver
  • Destruição parcial de cadáver
  • Corrupção de menores
  • Organização criminosa

Entre os principais nomes apontados estavam Deivid Henrique Mariano, Sidnei Valmir Silveira de Melo, Maicon França Taube, Pamela Franciele Lopes da Rosa, Luciano e Silva e Evandro de Lima Soares. Houve também participação de adolescentes.

Em júris populares realizados em 2018 e 2019, vários réus foram condenados a longas penas de reclusão em regime inicialmente fechado:

  • Deivid Henrique Mariano: 72 anos e 1 mês
  • Sidnei Valmir Silveira de Melo: cerca de 71 anos
  • Maicon França Taube: cerca de 47 anos
  • Outros réus receberam penas na faixa de 40 a 48 anos

O Tribunal do Júri de Palhoça negou o direito de recorrer em liberdade aos condenados, considerando a gravidade dos crimes.

Repercussão

O caso chocou Santa Catarina pela crueldade extrema e pela divulgação deliberada do vídeo da execução. Reportagens da época destacaram o caráter exemplificativo da violência usada pela facção para impor medo e “disciplina”.

Fontes principais: reportagens do G1 Santa Catarina, NSC TV e denúncias do Ministério Público de Santa Catarina publicadas entre novembro de 2017 e julho de 2019.

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