Em 18 de maio de 1973, o desaparecimento de uma menina de apenas 8 anos daria início a um dos casos criminais mais conhecidos e controversos da história do Espírito Santo. Araceli Cabrera Crespo saiu de casa, no bairro de Fátima, na Serra, para ir à Escola São Pedro, na Praia do Suá, em Vitória. Naquele dia, porém, ela não voltou para casa.
Araceli havia saído da escola no fim da tarde. Segundo relatos reunidos posteriormente pela investigação, ela teria sido vista em um estabelecimento próximo ao caminho que costumava fazer até o ponto de ônibus. Depois disso, seu paradeiro se tornou desconhecido. A família iniciou imediatamente as buscas, enquanto fotografias da menina passaram a circular pela imprensa.
Seis dias depois, em 24 de maio, o corpo de uma criança foi encontrado em uma área de vegetação próxima ao antigo Hospital Infantil, em Vitória. O cadáver estava em avançado estado de decomposição e apresentava sinais de violência, o que dificultou inicialmente a identificação. O reconhecimento do corpo passou por dúvidas e contradições durante a investigação, até que exames posteriores confirmaram que se tratava de Araceli.
A investigação rapidamente se transformou em um caso de grande repercussão nacional. Surgiram diferentes versões sobre o que teria acontecido com a menina, além de denúncias de falhas e demora na apuração. Uma Comissão Parlamentar de Inquérito instalada posteriormente no Espírito Santo apontou possíveis omissões na investigação policial e questionou a atuação das autoridades diante das suspeitas que envolviam pessoas de famílias influentes do Estado.
Entre os principais acusados estavam Paulo Constanteen Helal e Dante de Barros Michelini, conhecido como Dantinho. A acusação sustentava que Araceli havia sido atraída após deixar a escola e posteriormente submetida a violência sexual e física antes de ser assassinada. Também houve acusações envolvendo outras pessoas, mas as circunstâncias exatas do crime nunca foram completamente esclarecidas.
O processo se arrastou por anos. Em 1980, Paulo Helal e Dante Michelini foram condenados, mas as sentenças acabaram anuladas. Em um novo julgamento, realizado em 1991, os dois foram absolvidos. Dessa forma, apesar da enorme repercussão e das acusações que marcaram a investigação, não houve condenação definitiva pelo assassinato de Araceli.
Décadas depois, documentos, reportagens e pesquisas continuaram revelando contradições na investigação. O processo acumulou milhares de páginas, e jornalistas que estudaram o caso apontaram problemas como demora para ouvir testemunhas importantes e dificuldades para estabelecer com precisão onde e como a menina foi assassinada.
O caso também ultrapassou a esfera criminal. A morte de Araceli se tornou símbolo da violência sexual contra crianças e adolescentes no Brasil. Em 2000, o dia 18 de maio foi oficialmente instituído como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, justamente na data associada ao desaparecimento e à morte da menina.
Mais de cinco décadas depois, o nome de Araceli continua sendo lembrado não apenas pela brutalidade do crime, mas também pelas perguntas que permaneceram abertas. Quem participou diretamente da morte? O que realmente aconteceu nas horas que antecederam o assassinato? Por que tantas versões diferentes surgiram durante a investigação? E por que, depois de tantos anos, ninguém foi definitivamente responsabilizado pelo crime?
Araceli tinha apenas 8 anos quando desapareceu. Sua história, porém, atravessou gerações e se transformou em um dos maiores símbolos brasileiros da luta contra a violência sexual infantil.
Imagens melhoradas por IA
Prisões
Um dos suspeitos, decapitado décadas depois
Dante de Brito Michelini, conhecido como Dantinho, foi um dos acusados pelo assassinato de Araceli, ocorrido em 1973, no Espírito Santo. Ele chegou a ser condenado em 1980, mas a sentença foi anulada e, em 1991, foi absolvido.
Mais de cinco décadas depois, em fevereiro de 2026, Dante, aos 76 anos, foi encontrado morto e decapitado em um sítio em Meaípe, Guarapari (ES). Um homem foi preso e apontado pela investigação como responsável pelo homicídio. Dante morreu sem condenação pelo caso Araceli.
































